Fernanda Garcia Peralta – Para a Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos da Niasi, parceria em primeiro lugar prima pela qualidade. Ela acredita que ainda há uma carência de produtos no Brasil.

 

1 – Qual a história de sua carreira e como foi sua transição para o mercado cosmético? Como foi sua vinda para a Niasi?

Sou Engenheira Química. Iniciei minha carreira no setor cosmético ainda na época da Faculdade, quando fiz estágio numa indústria cosmética. Fiquei nesta empresa por 13 anos. Depois fui convidada a ir para a Niasi.

 

2 – Qual a sua filosofia na condução do cargo na Niasi?

Transparência, criatividade, inovação, procurando o que há de melhor dentro do nosso negócio.

 

3 – A intuição é uma ferramenta no seu trabalho?

É. Muito forte. Ela fala muito forte em relação ao sensorial. Quando você está criando um xampu ou um creme, você vai acumulando idéias, vai pesquisando, mas sempre vem a intuição, Ah se formos por este caminho talvez os consumidores gostem mais. Nesse caso a intuição feminina, de quem é usuária também dos produtos, fala forte também.

 

4 – É importante ser arrojado ou ter os pés mais fincados em previsões e pesquisas?

Eu acho que é um meio termo. Quando vamos criar, inovar, você tem que ser arrojado. E muito técnico também. A criação é totalmente técnica, então é necessário colocar os pés no chão, atender a pesquisas do consumidor, ouvir o mercado. No início de um projeto normalmente sou arrojada, mas vou dosando um pouco dos dois.

 

5 – A Niasi tem um departamento próprio de pesquisas ou ela as encomenda?

O marketing se encarrega disso. A parte técnica tem o Centro Técnico, onde fazemos testes e pesquisas com cerca de 400 testes, usando modelos, que são as consumidoras finais e usamos institutos especializados, para avaliarmos os produtos quanto à segurança, quanto ao uso e a eficácia.

 

6 – Como vocês procuram os seus fornecedores?

A parceria em primeiro lugar prima pela qualidade, pelo que ele pode nos oferecer em termos de tecnologia, know how, informações. Essas são as principais características.

 

7 – Eles vêm até vocês ou vocês vão buscá-los?

Eles vêm até nós e nós também procuramos algumas referências fora do Brasil.

 

8 – Em que conta uma equipe afinada?

No desenvolvimento do bom trabalho. Funciona como numa orquestra. Se você tem uma equipe afinada o trabalho sai muito melhor, mais rápido, mais dinâmico.

 

9 – E como prever, num país tão grande e diversificado, os produtos que funcionarão no mercado?

Eu acho que são produtos de necessidade básica e hoje os cosméticos não são apenas de higiene pessoal. Hoje eles incorporam o tratamento e este lida um pouco também com o sensorial, com a emoção de o consumidor se sentir mais belo, ter a pele mais saudável e bonita.

 

10 – Qual a medida certa entre ser popular e ser exclusivo?

Depende. São dois caminhos diferentes. Depende dos objetivos da empresa. Certamente temos condições de fazer os dois.

 

11- Existe uma política de desenvolvimento de produtos na empresa?

Sim. Existe um comitê de Desenvolvimento de Novos Produtos, onde são feitos braim storms, pesquisas da área de marketing, desenvolvimento também, onde lançamos todas as idéias, todas as possibilidades. Em cima disso são feitos estudos para a análise do que é viável ou não e daí partimos para o desenvolvimento dos novos lançamentos.

 

12 – Qual é o seu maior desafio na empresa?

Meu maior desafio foi realmente conhecer a área de coloração, porque eu não vim desse segmento.  Está sendo muito gratificante porque tenho aprendido muito. Vim da área de tratamento da pele, o que de certa forma complementou o meu trabalho com coloração.

 

13 – Qual foi a maior mudança no setor cosmético que você já presenciou?

É a tecnologia mesmo. Do uso tópico, da função de tratar e nutrir para se aproximar mais da área médica, de produtos cosmocêuticos.

 

14 – Como você vê o seu setor nos próximos anos?

Tem muito a crescer. Porque acho que no Brasil ainda faltam muitos produtos. Já caminhamos muito, mas acredito que em termos de desenvolvimento de produtos, principalmente cabelos, em geral, ainda faltam muitos produtos. Somos carentes de produtos. Ainda temos o básico apenas. Ainda há muitos nichos a serem explorados. E tenho certeza que temos condições de exportar muito ainda.