Em 2003, os esforços de exportação do setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos foram recompensados
com um crescimento de 18,81% sobre 2002, atingindo US$ 224,334m. As importações registraram um valor de US$ 142m, cerca de 4% a menos que no ano anterior, que também apresentou queda. O superávit de 2002 foi de US$ 42,057m, e em 2003 foi de US$ 80,459m, um crescimento de 91,30%. Em entrevista exclusiva ao Cosméticos Br, João Carlos Basílio, presidente da Abihpec – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos – fala sobre esse desempenho.



Cosméticos Br – O superávit na balança comercial nos últimos dois anos, especialmente este salto de 2003 de 91,30%, significa o resultado de vários esforços, tanto da Abihpec quanto da Apex-Brasil. O Sr. credita às missões comerciais por diversos países a ação mais eficaz?

R – Sem dúvida, sem ela não teríamos gerado essa motivação no mercado. Eu tenho a confirmação de diversas empresas que exportam que se não houvesse esse projeto, com certeza elas não estariam exportando.

Cosméticos Br – Como foi convencer 24 empresários a participar de missões comerciais no exterior e que tipo de preparação eles tiveram?

R – Eu brinco sempre dizendo que em alguns casos o convencimento foi a laço. É claro que a partir dos resultados obtidos nas missões ficou mais fácil para convencer novos participantes a entrar no projeto. E o boca a boca entre os pr´prios empresários também foi fundamental, além de a entidade divulgar os resultados a seus associados.

Cosméticos Br – Qual a imagem que se tem do setor cosmético brasileiro no exterior E há cinco anos?

R – Estamos construindo uma imagem do segmento. A imagem na verdade é quase que nenhuma. Sempre fomos importadores. Agora somos exportadores e procurando criar uma personalidade própria para os mercados. Não pretendemos competir no mesmo nível de tecnologia e penetração como as marcas internacionais, mas temos a biodiversidade brasileira em ativos exclusivos, criatividade, dada a diversidade racial e cultural do país e também tecnologia e design, que vão tornando nossos produtos atraentes, diferenciados, originais e a preços competitivos.

Vou dar um exemplo que fala por si. Há quatro anos levamos um grupo de oito empresários à Bologna, para a Cosmoprof. A mídia especializada praticamente nos ignorou. No segundo ano levamos 16 e a mídia se interessou, chegamos a receber algumas menções espontâneas sobre o pavilhão brasileiro. No ano passado quando levamos 24 empresas, aí sim a mídia prestou atenção à presença brasileira na maior feira de cosméticos do mundo.

Cosméticos Br – O Sr. diria que a preparação dos empresários e empresas para as missões em mercados externos é fundamental? As empresas brasileiras têm noção de quão competitivos podem ser estes mercados e que estas preparações se não forem coordenadas e sistematizadas realmente não causam o efeito esperado?

R – Sempre nos preocupamos em preparar esses empresários. Seja com apostilas, palestras ou reuniões. Mas já foi a época em que era necessário ajuda-los a formular preços, calcular custos, Hoje fazemos isso individualmente quando uma nova empresa entra para o projeto. As feiras Cosmoprof, e também o Sebrae nos estados e mesmo São Paulo e Grande São Paulo, cumprem esse papel. Neste momento, por exemplo, estamos em preparação para uma missão a Selfridges, de Londres entre os dias 4 e 28 de Maio. Para isso temos reunião com nossos associados interessados e já temos uma apostila pronta com as exigências para a participação nesse evento, com as regulamentações do mercado inglês. Já contatamos toda a parte de infra-estrutura e já temos também um representante legal em Londres.

Cosméticos Br – Como são detectados e contatados esses mercados pela Abihpec e Apex-Brasil?

R – Na verdade é tudo feito a seis, oito mãos. Os próprios associados da Abihpec algumas vezes nos indicam mercados, porque uma empresa sozinha não faz sucesso, mas em grupo. Nesse sentido há uma união de nossos associados para que tudo dê certo. Óbvio que recebemos informações e convites de Câmaras de Comérico Exterior, Câmaras de países que entram em contato conosco, o Ministério do Exterior.

Cosméticos Br – No anuário da Abihpec, o Sr estima que em 2004 o segmento de cabelos será promissor. Porque esta perspectiva?

R – O crescimento em números vem demonstrando. Nossas exportações cresceram em dólares 30,59% em 2003 contra 2002 quando crescemos 75,24% contra 2001. Há crescimento significativo em todos os anos. Então a tendência é de que este segmento venha a manter percentuais de crescimento muito mais elevados que os outros setores.

Cosméticos Br – Ao que o Sr. credita o crescimento de 146% no segmento de maquiagem, tornando o Brasil competitivo mundialmente?

R – Temos de um lado o Brasil se tornando base de pólo industrial para abastecer toda a América Latina. Cada vez mais as empresas estabelecem a estratégia de se instalar no país, para a sua consolidação na América Latina. O Brasil está se tornando pólo de exportação para outros mercados. Temos inclusive a perspectiva de que a Johnson & Johnson traga para o país algumas de suas fábricas, que vão abastecer todo o mundo. Isso cada vez mais vai consolidando o país com uma imagem forte no mercado, o que fortalece o nome made in Brasil.

Cosméticos Br – Que outros mercados estamos inaugurando, nesse esforço dos últimos anos?

R – Estamos consolidando os dados de 2003. Mas já estamos exportando para mais de 100 países. O número de paises para os quais exportamos cresceu 50% nos últimos três anos.

Cosméticos Br – Há um movimento grande em todos os setores de incremento às exportações, no setor cosmético inclusive, o Sr. acredita que a internet, com seus sites de ebusiness possam ser uma ferramenta facilitadora e ampliadora de negócios para o setor?

R – Tudo o que possa propiciar um contato melhor, uma aproximação com as pessoas, sem dúvida nenhuma gera negócios. É fundamental que haja essa integração, facilidade da comunicação. As diferenças de horários não se tornam tão importantes. É uma ferramenta a mais, para alanvancar possibilidades de negócios entre empresas e pessoas.

Cosméticos Br – O Sr. diria que o site da Abihpec foi um instrumento de integração dos associados de diversas partes do país com a associação?

R – Ele tem procurado ser. A reformulação dele foi concluída em outubro. E agora é mantê-lo atualizado, cada vez mais interessante. O número de visitas a ele aumenta a cada mês. Nossa meta é de chegar a um número de 30 a 40 mil acessos mensais em nosso site. Esse é o nosso desafio, nosso projeto para 2004.

Cosméticos Br – Algumas empresas já estão inclusive utilizando-se do e-comerce para vender seus produtos pela internet. O que o Sr. acha disso?

R – Cada vez mais temos recebido solicitações de nossos associados para que trabalhemos fortemente com os correios. Hoje em dia pode-se trabalhar até com 10 mil dólares por remessa e há um movimento pedindo ao governo que este valor chegue de 50 mil por remessa. Sem dúvida que o e-comerce é uma ferramenta promissora para o setor.
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