Jöel Palix, Presidente Mundial da Thierry Mugler Parfums, uma das marcas de perfumes
mais bem sucedidas internacionalmente, esteve no Brasil nos dias 15 e 16 de Abril.
Pela primeira vez no país, Jöel veio conhecer de perto o mercado onde o perfume Angel, o mais vendido da marca, é sucesso de vendas.

Aos 42 anos de idade, este francês de Paris, atuou por 10 anos no setor cosmético,
como Gerente Geral da Europa pelas marcas Yves Saint-Laurent e Sanofi
Beauté. Também foi presidente de duas das maiores empresas de e-commerce
da Europa, Clust.com e 3Suisses.
Na agenda corrida, além de se reunir com os executivos da RR Perfumes e Cosméticos, distribuidora exclusiva da marca, ele teve tempo de conhecer alguns pontos de venda seletivos de São Paulo e mostrou-se encantado com o conhecimento que público brasileiro tem das fragrâncias da marca – Innocent, A*Men, Angel e Cologne. Em entrevista ao Cosméticos Br ele falou sobre sua crença no marketing de relacionamento,  para a fidelização do consumidor. Com ele a empresa inaugurou o Círculo dos Anjos, uma espécie de clube de relacionamento com os consumidores, que teve início com a fragrância Angel, a mais vendida da marca, mas incorporou as outras fragrâncias lançadas no país.

 

 

Como funciona o marketing de relacionamento de Thierry Mugler?

Sempre que um consumidor adquire um produto Thierry Mugler preenche um livro celestial. Sua ficha vem para os distribuidores da marca e este consumidor passa a receber informações sobre aquela fragrância, novos lançamentos, edições limitadas. Nossa filosofia é criar relacionamento com o consumidor. A idéia do Círculo dos Anjos teve duas razões: a primeira é porque a Angel foi lançada num clube. A segunda é que como a Clarins se associou à TM para desenvolver a fragrãncia, a filosofia da empresa foi adaptada para a TM por Vera Strubi. Hoje em dia recebemos cartas sobre cada uma de nossas fragrâncias, inclusive cartas daqui do Brasil.

 

Existe uma estratégia para a distribuição dos perfumes Thierry Mugler para a América do Sul?

Não exatamente, distribuímos para o Brasil, Argentina, Uruguai, Chile desde o fim do ano passado e agora também para o Peru e Venezuela. Existem estratégias globais que são adaptadas para cada país. Para você ter uma idéia do que digo, no Chile temos apenas dois pontos de venda seletivos, na Argentina 35 e no Brasil 120, um número muito maior do que para todos os países da região e ainda assim a seletividade da marca é mantida.

 

Quanto a marca vende globalmente e quanto vende na América Latina? E qual a expectativa para o mercado Sul Americano?

Thierry Mugler no mundo  fatura Є140milhões em vendas. A América latina representa em unidades 5% das vendas. Para a América do Sul temos expectativas de crescimento de 10 a 20 % até o fim do ano.

 

A marca TM pretende fazer do Brasil uma plataforma de distribuição para a América Latina?

Não vemos as coisas assim. O Brasil é a maior economia na América Latina. Se formos bem sucedidos aqui isto nos ajudará a ser bem sucedidos na América Latina. Mas cada mercado tem suas especificidades e é necessário ser bem sucedidos em cada país.

 

Qual é o desempenho da marca no país?

A TM no Brasil tem uma ótima performance. A RR Perfumes faz um ótimo trabalho. Concorda em seguir a filosofia da marca no mundo.Existe muita colaboração de ambas as partes. Nos pontos de venda Angel é, das fragrâncias femininas, a top de linha.

 

Como é o mercado da América do Sul em relação ao da Europa e Estados Unidos em termos de vendas?

Os consumidores brasileiros tomam conhecimento das novidades da perfumaria quando viajam ao exterior. Metade do público que compra fragrâncias na Europa compra marcas seletivas. No Brasil talvez 10%. Mas fico sempre impressionado com o quanto o consumidor brasileiro conhece sobre fragrâncias.

Não há mercado A, nem mercado B. Todos são importantes. Quando vamos a um novo mercado, vamos profissionalmente e fazemos o mesmo trabalho, porque um consumidor fiel de Angel pode ser um embaixador da fragrância.

 

 

Qual é o seu background?

Trabalhei por dez anos para a Saint Laurent e de 1996 a 2000 trabalhei com e-commerce e marketing direto.

 

Como o Sr. entrou para a perfumaria?

Bem a França tem grande participação nesse mercado e eu sou fascinado por perfumes. Além disso, há muito escolhi ter uma carreira internacional. Então ficou fácil juntar uma coisa à outra. Outra razão é que trabalhar com o olfato ele evoca um mundo sem limites.

 

Mas como o Sr. flertou com o e-commerce?

Sou muito interessado também no consumidor. Combinar ambos – perfumes e relação direta com os consumidores me pareceu algo lógico.

 

O Sr. acredita em vendas por Internet?

É um mercado que está se desenvolvendo, mas ainda é um desenvolvimento pequeno. Nos Estados Unidos é um pouco mais desenvolvido, representa cerca de 1% do total das vendas. Mas não existe nada como tocar, testar o produto, o prazer da compra ao vivo onde se gasta inclusive tempo para que ela seja feita.

 

O Sr. acredita que é possível se fazer venda de perfumes e cosméticos por internet?

Somos prudentes em relação ao e-commerce. É um segmento que precisa de serviços. Alguém para levar o consumidor a experimentar o produto. E isso não é algo que se possa fazer por internet. Outra razão é que existem muitas marcas ilícitas, cópias de produtos comprados no mercado negro. Além disso, acredito muito mais no relacionamento com o nosso público.

 

O Sr. acha que há algo ainda a ser inventado em perfumaria?

A perfumaria está sempre inventando. A Quest, IFF, Firminich estão sempre trazendo novas combinações. Acredito, no entanto, que existe uma nova corrente entre as novas marcas e iniciativas que é a de costumizar. Perfumaria é uma arte. Não se pode fazer tudo. A costumização é o caminho.