1 – Quantas revistas sua editora comercializa e quais os segmentos que elas cobrem?

Hoje nossa editora tem nove títulos dentro dos segmentos de higiene pessoal, perfumaria e Cosméticos. Estamos atuando no canal farma, com uma revista chamada ‘Mais Sucesso’, da drogaria Iguatemi, a revista Cosmética, a revista Packing, de embalagens, a revista Cosmética Tecnológica, de matérias-primas e tecnologia, o Anuário Brasileiro de Informações Cosméticas, a revista Cosmética Logística e a revista Cosmética Promoção de Vendas.

2 – Quando foi que você deu início à atividade de editor e porque um designer se interessou por ela?

A editora tem 13 anos. Iniciamos com a revista Cosmética. Fui bolsista do Senai, de artes gráficas, e também estudei artes gráficas em Paris.  Foi lá que tomei contato com perfumaria e me especializei em design para perfumaria. 

3 – Quando você percebeu a necessidade de criar o Prêmio Atualidade Cosmética?

Depois que cheguei, até o momento que fiz a revista até o prêmio, muito coisa aconteceu. O diretor do MASP – Museu de Arte de São Paulo-, Pietro Maria Bardi, me apresentou o Aparício Basílio da Silva, na época dono da perfumaria Rastro. A partir daí entrei na perfumaria pela Rastro.  Em homenagem a ele criei o prêmio Aparício Basílio da Silva, de criações das casas de fragrâncias para perfumes masculinos e femininos.
Quando comecei a fazer críticas em relação à qualidade dos produtos brasileiros, comecei a fazer a revista e a expor às pessoas essa necessidade de aprimorar e incorporar tecnologias novas. Foi assim que surgiu o Prêmio: em resposta aos empresários que acreditaram na idéia de inovar e investir em tecnologias e criação.


4 – Quem são os seus parceiros no prêmio?

Os grandes parceiros desse projeto são as casas de fragrâncias que acreditaram desde o princípio no projeto.

5 – Desde o começo havia auditoria? E como ela foi instituída?

Não, o Prêmio foi criado em 1993, estamos na 14° edição e a auditoria começou a partir do ano de 2000. A Price WaterHouse (mesma auditoria do Oscar de cinema) Cooper evidenciou a idoneidade do prêmio. Ele não atendia e não atende a interesses particulares, a não ser os interesses do mercado.


6 – Quem participa do júri e por quê?

São os próprios profissionais do mercado. Ninguém melhor do que os próprios profissionais para decidir o que há de melhor no mercado. É um Prêmio democrático, com profissionais de várias áreas e empresas. Um dos prêmios – Prêmio Aparício Basílio da Silva – é julgado na hora. As pessoas entram escolhem as fragrâncias e votam. Promovemos também uma votação com o público consumidor, em pontos estratégicos da cidade de São Paulo para o Prêmio de Melhor Fragrância feminina e Masculina Júri Popular.


7 –  Quanto tempo leva para prepará-lo e quem é que faz esse trabalho?

É algo que gira o ano inteiro. Meu filho, Auâni Cusma de Paula hoje administra o Prêmio. Existe um trabalho do Conselho, com modelos de avaliação etc. Quando acaba um prêmio já começa outro, porque as casas de fragrância apresentam todo ano as tendências olfativas.
 

8 – Quantas categorias o Prêmio Atualidade Cosmética inclui?

São 19 categorias, sendo duas delas dedicadas ao Prêmio Aparício Basílio da Silva, das casas de fragrâncias, 6 categorias  para perfumaria, 4 de produtos cosméticos, 3 para empresas e um para o profissional  do ano. Estamos introduzindo uma nova categoria este ano, ainda sem nome, para premiar também o trabalho das distribuidoras de fragrâncias.

9 – Porque existe a categoria Executivo do Ano e como ela é mesurada?

É o voto do mercado. Esse prêmio começou como Personalidade Empresarial. Era um prêmio de indicação da Abihpec e isso acabava restringindo um pouco a categoria. A uma certa hora achamos que o mercado é quem deveria decidir. Então indicávamos 3 ou 4 profissionais  (presidentes e executivos). Já nos últimos anos eliminamos essa limitação de serem apenas presidentes e executivos e passamos a premiar profissionais que tinham uma atuação decisiva no mercado. Temos o Paulo Zottolo, da Nívea; o Pedro Passos, da Natura, a Silvana Cassol, quando ela ainda era do Boticário, entre os mais recentes. O Miguel Krigsner, presidente do Boticário ganhou quando o prêmio era restrito a empresário do ano.

10 – A exemplo dos prêmios Fifi Awards a categoria de perfumaria é muito valorizada, talvez mais que a de cremes antiidade que envolvem tecnologia de ponta? Porque?

Valorizamos tanto um quanto outro. Tivemos que dar peso grande para a área de tratamento, porque o Brasil tem vocação na área da fitocosmética, justamente porque conta com a biodiversidade. Temos que valorizar e incentivar essa vantagem e o prêmio atende a isso.

11 – Mesmo com o Prêmio Embanews, os prêmios de embalagem também são muito aguardados no Prêmio Atualidade Cosmética. Esse segmento, o de fornecedores se ressente de reconhecimento?

Acho que sim. O Prêmio Feras da Embalagem vem atender a isso. Ninguém paga mesa, espaço, nada. Quando entregamos o Prêmio Feras, as pessoas sabem que o Prêmio foi auditado.  Eu acho que os profissionais da área se sentem ressentidos sim, mas eles ganham por tabela quando seus clientes ganham. Porque se trata de um premio de incentivo e reconhecimento. O mercado todo vai comentar e o profissional vai ganhar dinheiro com isso.

12 – Outros prêmios estão a caminho? Ou serão criadas novas categorias?

Estamos criando agora o Prêmio Mais Sucesso, voltado para o canal Farma. São as marcas que mais se destacam neste segmento. O Brasil tem 53 mil drogarias e vejo neste caminho a única possibilidade de crescimento do setor cosmético para a expansão de negócios. Existe uma falta de percepção da indústria cosmética e de perfumaria de produzir para esse mercado. São produtos de tratamento, produtos cosmocêuticos, que já se incluem na categoria dermatológica.


13 – Você tem suas próprias idéias sobre o mercado brasileiro de cosméticos. O que na sua opinião está faltando para ele neste momento?


Vamos promover agora um Encontro só para discutir maquiagem, com 10 jornalistas, 10 maquiadores, que discutirão o rumo do segmento de maquiagem, porque o mercado não avança. O mercado de maquiagem no Brasil está reduzido a batom, até por conta da consumidora brasileira que não se maquia muito. O Brasil precisa ter também maquiagem de tratamento, corretiva, terapêutica, dermatológica.  Isso é o futuro.

14 – Como é que uma pessoa que estudou para ser designer tem essa percepção para o setor cosmético?

Eu tive que ter esse olho para sobreviver.