Laurent Morcrette
, um jovem administrador de empresas, iniciou as atividades da importadora Parfums de France no Brasil no ano de 2000, vendendo perfumes franceses de baixo custo. Ele dirige a empresa com uma visão pragmática do mercado,  que o levará a alcançar este ano a marca dos 4 milhões de frascos vendidos no país: Ele trabalha com produtos adequados à realidade financeira.

1 – Breve histórico de sua carreira e como entrou para o setor de perfumaria.
 
Sou pós-graduado em administração de empresas e tive meu primeiro contato com o Brasil em 1997, quando trabalhei como Diretor Financeiro da Renault por um ano. Em 1999, encontrei o Sr Jean-Jacques Vola, criador da marca Paris Elysées que me ofereceu a possibilidade de desenvolver suas marcas no Brasil. Aceitei o desafio, mesmo nunca tendo trabalhado previamente com perfumaria. Porém, o contato com este mundo foi fantástico e me apaixonei pelo setor imediatamente.
 
 
2 – A perfumaria é encarada mais como uma paixão do que um business?
 
Seria hipocrisia dizer que a perfumaria não é um business. Mas, diferente de outros business, é um ramo apaixonante, pois atua sobre os sonhos, com a criação e com o desejo. Não se vende apenas um produto, mas um contexto, um sonho para as pessoas.
 
3- Qual é a sua filosofia na condução de seu cargo na empresa?
 
Estou resumindo isso em quatro palavras: ética, honestidade, dedicação e paciência. O Brasil é um país complexo para se trabalhar. Não se pode alcançar resultados sem essas qualidades.
 
4 – Como é prever os produtos que funcionarão no mercado brasileiro?
 
É muito difícil. O mercado brasileiro é volátil, dá respostas surpreendentes aos produtos. De um lado, o brasileiro é muito fã de novidades, mas ao mesmo tempo, continua tradicional na escolha de uma fragrância. O grande desafio é surpreender, sem perder de vista as preferências tradicionais.
 
5 – Qual é a medida certa entre ser popular e ter produtos exclusivos?
 
Eu acho que tem mercado para todos os tipos de produtos. Nossa estratégia não é sermos exclusivos. Pelo contrário, queremos dar acesso a cada vez mais pessoas a perfumes de alta qualidade por um preço ao alcance de todos. De uma certa forma, estamos democratizando o acesso a perfumes de qualidade.
 
6 – O sr. acredita que o mercado da perfumaria de prestígio, com suas centenas de lançamentos esteja esgotado, dando lugar à perfumaria voltada ao mercado popular?
 
O mercado de prestigio atende a um tipo de consumo. No entanto, a tendência mundial é a queda do poder aquisitivo. Os focos de crescimento estão nos produtos que se adequam a essa realidade financeira dos consumidores. Eu vejo, na multiplicação de lançamentos seletivos, às vezes, um esquecimento da realidade do mercado.
 
7 – O Sr. poderia nos falar a respeito da escolha de aromas sob o ponto de vista de mercado?
 
De maneira geral o brasileiro gosta de dois tipos de fragrâncias. De um lado fragrâncias frescas, cítricas, sempre muito solicitadas pelos consumidores, em função do clima quente do país. Por outro lado, este mesmo clima quente, faz que o ar fique carregado de aromas de todos os tipos. Em função disso, os brasileiros procuram também fragrâncias mais carregadas, essências mais doces, concentradas e também essências orientais. O objetivo deste consumidor é permitir ao perfume “apareça” no ambiente carregado de outros aromas.
 
8 – Como usar e conservar bem um perfume?
 
Evitar usa-los num dia excessivamente quente. Conservar, se possível, no cartucho, protegido da luz ambiente, que tende a enfraquecer o perfume.
 
9 – A intuição é uma ferramenta em seu trabalho? É importante ser arrojado ou ter os pés mais fincados em previsões e pesquisas?
 
Tudo é uma questão de dosagem. Sem risco, sem tentar, sem dar vazão à sua intuição, você não tem como sair na frente. Assim, quando lancei Paris Elysées no Brasil, a minha intuição era a de que havia consumidores em busca de perfumes de qualidade, a preço acessível e que isso deveria ser comercializado em redes de distribuição tradicionais de perfumaria.
Do outro lado, num país como o Brasil, pela volatilidade do ambiente de negócios, as mudanças constantes nas regras, não há negócio possível sem pesquisa, sem previsão, sem planejamento.
 
10 – A gastronomia e a moda tem relação direta com o seu negócio?
 
A gastronomia, bem como os perfumes, são dois símbolos da cultura francesa, do “art de vivre” francês. Gastronomia e perfumaria são dois mundos ligados a cheiros, a composições, a combinações de sabores, de cheiros. Quando você come, o olfato é fundamental para poder desfrutar de uma criação culinária. Além disso, gastronomia é para mim, um prazer diário.