Na Luxe Pack ela falou para uma platéia atenta sobre a história e os caminhos da embalagem e ao cosméticos br contou como trabalha a equipe de Desenvolviemtno de Embalagens do O Boticário.

1 – Como você vê o desenvolvimento de embalagens hoje no Brasil? Estamos próximos do mercado internacional de embalagens ou ainda falta muito para chegarmos a essa equiparação?

Houve um movimento de vinda para o Brasil de empresas matriz da Europa (França, Itália, Inglaterra). Empresas como a Rexam, Augros, Valois e Saint Gobain perceberam o mercado em potencial que havia aqui. Hoje podemos ter em tempo real as mais recentes tecnologias européias em embalagem. Por exemplo, aquele frasco do Pure Poison, de Dior, que reflete a luz em diferentes ângulos conforme a incidência da luz. Na época do lançamento, nós vimos esse trabalho aqui e percebemos que se quiséssemos lançar um produto com estas características, apesar do custo, seria possível. Algo que há poucos anos não era possível. Nós não tínhamos esse acesso, essa facilidade.

2 – Há empresas brasileiras que desenvolvem tecnologias similares?

Aqui, a Wheaton está a cada dia apresentando coisas novas. Nosso mais recente lançamento masculino Malbec foi desenvolvido pela Wheaton e é um frasco lindíssimo. Temos o Arbo feminino, que tem o bocal descentralizado, algo dificílimo de ser feito e eles conseguiram fazê-lo de forma brilhante. Então, percebe-se que estamos chegando a uma equiparação sim.
Em termos de decoração, ainda não temos a decoração à laiser, mas, quando houve esse movimento de as empresas virem para o Brasil, houve aquela conversa: “Ah eu for para o Brasil vocês têm de me garantir compra de tanto”. A gente tem um pouco de medo disso, entendeu, porque não sabemos se o produto vai ter uma aceitação que garanta essa vinda. Muitas vezes você primeiro importa a tecnologia, paga mais caro e aí, se essa tecnologia é muito aceita no Brasil, você fala venha então para o mercado brasileiro.
A Rexam faz toda a embalagem de nossa linha de maquiagem. Nossos estojos não riscam. O Brasil não tinha esse tipo de tecnologia. É um tipo de verniz diferente. A cor berinjela da nova maquiagem foi desenvolvida por nós. O verniz não risca. Esse verniz é caro? É, mas era primordial que tivéssemos isso. Pedimos então que eles trouxessem.

3 – A equipe de desenvolvimento de embalagem do Boticário prevê a incorporação dessas novas tecnologias quando imagina um novo produto?

O Boticário tem um time que trabalha para buscar tudo isso. Na formulação inclusive. E o desenvolvimento de embalagem então dá suporte a essas inovações. Para fazer o que eu quero realmente com um material que existe, fazer os testes necessários para garantir que o produto não vai riscar, etc existem de início uma série de conceitos a serem trabalhados, em que se colocam limites, que acabam por instigar os fornecedores a buscar novas tecnologias. E é isso que é ótimo nesse trabalho, você poder imaginar algo que ainda não existe, mas poderá vir a existir num futuro próximo.

4 – Qual é o peso da opinião do consumidor no design das embalagens?

A linha de maquiagem tem, por exemplo, um sistema de abertura de estojo que, para os olhos é na horizontal e para o rosto na vertical. São detalhes de design, que incorporam o conhecimento do hábito do consumidor. Nos preocupamos em atendê-lo em seus mínimos anseios, o que nos leva a um produto final com novas tecnologias e inovações incorporadas.

5 – De onde parte essa criação? Vocês devem ser muito assediados por fornecedores que lhes mostram novas tecnologias. A formatação de uma embalagem parte também dessas novas tecnologias que lhes são apresentadas?

Com certeza. Olha, vou dar um exemplo da própria Eastman, que está lançando uma resina aromática aqui na Luxe Pack. Isso é uma coisa que nós temos interesse. Então, na realidade há dois caminhos para se formatar uma embalagem: o de criarmos um produto sonhando uma tecnologia e irmos buscá-la e há também o caminho de estarmos atentos a essas empresas de ponta, ao que elas estão pensando. E isso é importante, porque abrevia nosso tempo de desenvolvimento. Queremos aprimor estas tecnologias. Usá-las de forma incomum.

6 – Há um acompanhamento por parte da empresa para que tudo isso saia perfeito?
 
Nosso time de projeto funciona da seguinte forma: temos as áreas de marketing, Pesquisa e Desenvolvimento, engenharia e logística, para ver a melhor forma de você utilizar a cadeia de Supplying Team, que é a cadeia que acompanha da entrada à saída do insumo. Toda a equipe trabalha junta para lançar um produto, com cada área que detém uma expertise, numa engrenagem humana e técnica que tem que funcionar perfeitamente para não haver problemas.
   
7 – O cosméticos br privilegia a interação da indústria cosmética com seus fornecedores, que o acessam certamente interessados em saber os movimentos dessa indústria. Nesse sentido, o que O Boticário busca para o ano ou para o próximo ano?

A perfumaria é um segmento muito importante dentro do Boticário. Grande parte do nosso mercado fica na perfumaria. Mas estamos investindo cada vez mais em maquiagem, que aumentou muito o nosso share. O Boticário é uma empresa reconhecidamente forte em perfumaria. Agora, passou a atuar também fortemente no segmento de maquiagem. Para o próximo ano estamos apostando nossas fichas no segmento de skin care. A perfumaria continua, mas também queremos ser reconhecidos como uma empresa que tem de tudo, não só perfumaria, mas produto para maquiagem, produto para a pele, etc.

8 – Como a marca O Boticário foi percebida em Bolonha? Qual é o seu diferencial?

As pessoas acabam se surpreendendo com os nossos produtos. O diferencial é a criatividade, a utilização de matérias primas da nossa biodiversidade, a maneira com que fazemos diferente. Acredito que não vamos concorrer no mercado externo apenas com perfumes, mas em outros segmentos e agregar outros valores à nossa perfumaria. Malbec por exemplo, não é apenas um perfume, mas um perfume feito com álcool de uva. É um perfume envelhecido em tonéis de carvalho. Isso é uma patente e um produto impar.

9 – As embalagens do Boticário são recicláveis?

Todos os nossos materiais hoje são recicláveis. As embalagens vêm com o selo de reciclável e instruções de como a reciclagem pode ser feita. Nossas embalagens são com refis. Então, além do lado econômico, tem também o lado de você não agredir tanto o meio ambiente. Do ponto de vista da reutilização (refil) você tem também a redução. Eliminamos cada vez mais detalhes que possam comprometer a mistura de materiais, que na verdade é o plástico metalizado, não é o metal. Então você acaba tendo um material que pode ser reciclado de uma única forma. Há estudos para que possamos trabalhar com resinas biodegradáveis. Mas não é uma coisa tão rápida, porque há a necessidade de se testar o produto, avaliar se não muda a vida útil do produto. É preciso avaliar tudo isso. Não é uma coisa tão simples assim.

10 – Há estudos para o reaproveitamento das embalagens?

É outra coisa que precisamos investir cada vez mais: logística reversa, que devolve a embalagem do produto à loja para que a empresa o recicle e reutilize os materiais. Assim: Eu comprei este frasco de perfume e eu estou devolvendo este frasco para a loja.
Porque o vidro é 100% reciclável. Não se perde nada. Seria trabalhar em cima dessa logística reversa com os nossos fornecedores, um estudo que já está sendo feito. Podemos fazer isso, mas não é tão fácil, porque é preciso mudar ainda a cultura do povo. Não estou me referindo a pessoas guardam frascos que admiram, o que já é um reaproveitamento. O que eu digo é que é preciso alguma medida efetiva seja tomada nesse sentido.