1 – Em relação ao tema de sua conferência amanhã na Luxepack São Paulo – A Embalagem de Vidro do Brasil para o Mundo –, quer dizer que a indústria brasileira de uma forma geral tem condições de oferecer frascos para perfumes e cosméticos competitivos no mercado globalizado?

Tem. Porque o mercado brasileiro é bastante arrojado, não fica devendo nada a outros mercados. Podemos desenvolver qualquer tipo de molde, mas não há mágica. Sempre existe a questão da viabilidade econômica. Existe uma quantidade mínima em qualquer tipo de projeto, que você tem que ser remunerado por ela. Se existir a necessidade de uma quantidade pequena, e isso não é só com vidros, a empresa (produto final) deverá então partir para os produtos standard. Há uma linha de frascos e potes da Wheaton justamente para suprir essa necessidade.

2 – A Wheaton já fechou ou pretende fechar negócios com outros países?

Na verdade exportamos há décadas. Exportamos uma linha de produtos de utilidades domésticas e uma linha de produtos farmacêuticos para a América Latina. Além disso nossos clientes exportam e nós junto com eles, porque se você considerar o mercado farmacêutico com especialização em plantas, então exportamos para o mundo todo. Produzimos para a Ebel e para a  Avon na América  Latina.

3 – Em alguns segmentos, como o de mobiliário, o design brasileiro já é reconhecido no exterior. Já temos esse reconhecimento para o setor de embalagem de perfumes e cosméticos? Como tem sido a participação da Wheaton na Luxepack de Mônaco e Nova York?

A Wheaton é a única empresa brasileira a expor na Luxpack Nova York e nossa intenção é conhecer o mercado americano e reforçar a imagem corporativa da empresa.

4 – Num encontro da Cosmopack, em Bolonha este ano, os fornecedores de embalagem de luxo demonstraram não ter conhecimento da indústria brasileira de fornecedores para frascos e potes para perfumes e cosméticos de luxo. O que você tem a dizer em relação a este desconhecimento e quanto a capacidade das indústrias brasileiras do setor?

Acho que a questão de conhecimento do mercado é uma questão de cada um. Por exemplo, nós sabemos o que acontece nos EUA, Europa e Ásia, porque é necessário saber o que acontece dentro de cada mercado para nos tornarmos competitivos. Quanto a logística, também varia de empresa para empresa. Estamos num país que tem muitos problemas, mas temos visto que nos últimos anos soluções são sempre apresentadas.

5 – Que tipo de soluções?

A organização dos portos é uma coisa que caminhou. A Apex-Brasil está ajudando muitas vezes como facilitadora. Não sei se para guardar e estocar, porque isso não é um problema. Estoque tem um giro muito rápido.


6 – A Wheaton tem condições de fornecer para multinacionais que tenham fábricas em várias partes do mundo?

Considero dentro do setor de perfumaria a Avon, por exemplo, que é um player global que atua fortemente na América Latina e fornecemos para ela há décadas. É tudo uma questão de foco. A estratégia da Wheaton é consolidar sua presença nas Américas.

7 – As embalagens chinesas, que agora apresentam boa qualidade e os serviços que são adequados além dos preços mais baratos são uma ameaça às pretensões brasileiras de exportação nessa área?

Eu diria que nós estamos preparados para enfrentar a concorrência.Temos produto, qualidade, preço, conhecemos o mercado e temos tradição. Além de investimento em tecnologia e infra-estrutura.

8 – Como os consumidores buscam produtos também por preços os frascos padrão, especialmente os que a Wheaton está lançando em tamanho 20ml é também uma aposta da empresa para outros mercados?

Sim, é uma resposta às tendências que temos percebido.

9 – Qual a percentagem dos frascos padrão para empresas cosméticas menores, no volume total de negócios da Wheaton?

Não tenho esse número, mas se pensarmos que 80% está entre os grandes essa resposta pode ser deduzida.


10 – Inovação em embalagens é uma coisa cara e exige mão de obra especializada. Este é um fator a ser considerado no Brasil, no preço final do produto?

Não sei se inovação e embalagem devem ser consideradas caras, depende de como você encara. Eu considero inovação um investimento que tem o seu retorno garantido. É claro que tudo o que fazemos se reflete no preço dos produtos porque nós temos que remunerar o capital investido.

11 – Vocês sofrem com problemas de cópias?

A lei no Brasil inexiste e nossos clientes padecem e por extensão padecemos também.


12 – Como seria solucionada a questão logística de uma empresa fornecedora de serviços do Brasil para exportar para outros países sem ter fábricas fora do país?

Com operação classe mundial. A Nike não tem fábrica em lugar nenhum. Ela só tem operações classe mundial. Se você tem uma operação classe mundial você não precisa ter uma fábrica em cada lugar do mundo. Ela funciona através de N meios, de portos a centros de distribuição. Aí tem de haver toda uma estratégia para distribuição.

13 – A Wheaton Brasil visitou recentemente a Luxepack de Nova York. Que proveito trouxe a visita para a empresa e o que de mais interessante vocês encontraram em termos de tecnologia?

A feira foi muito boa. Ela tem possibilitado às pessoas conhecerem o nome da Wheaton. O interessante é que vemos que o mercado brasileiro não fica devendo absolutamente nada lá fora. Mas o mais interessante é podermos acompanhar o avanço e a evolução do mercado brasileiro.

14 – Qual o nível de inovação e tecnologia que vocês podem oferecer atualmente e que estejam capacitados para oferecer?

 A Wheaton investiu bastante em pesquisa e desenvolvimento, inclusive contamos com financiamento da Finepe e estamos preparados para oferecer serviços de decoração, que são frascos degradee, pinturas orgânicas e muitas coisas que antes eram impossíveis, por exemplo: frascos de fundo grosso, formato diferenciado. Então já temos esse know how incorporado.