1 – As exportações brasileiras do segmento cosmético deverão alcançar um aumento de mais de 20% em relação ao ano passado, apesar de o dólar estar flutuando entre patamares baixos. A que o sr. credita a que este fato?
 
A flutuação do câmbio em patamares baixos por enquanto ainda não afetou o crescimento das exportações do segmento de cosméticos. Mesmo os produtos de menor valor agregado e de consumo massivo, como sabonetes e dentifrícios, que poderiam vir a sofrer um impacto maior do câmbio vêem, até agora, apresentando uma trajetória ascendente nas remessas para o exterior. Isso ocorre porque o Brasil é competitivo no mercado internacional, pois tem produtos de qualidade e preço adequado. Além disso, temos a possibilidade de explorar melhor um nicho de produtos que sofrerá bem menos com qualquer problema no câmbio: é o segmento dos produtos naturais e “exóticos”, de maior valor agregado. Existe hoje uma tendência mundial de crescimento da demanda por esse tipo de mercadoria e o Brasil tem um grande potencial, já que possui tanto as matérias-primas quanto a tecnologia e a imagem adequada para explorar o segmento.
Outro fator que impulsiona as exportações brasileiras é o desenvolvimento de tecnologia para produção de cosméticos para várias etnias, de modo a atender ao mercado interno. Essa pluralidade acaba nos favorecendo também no mercado internacional, já que podemos atingir consumidores de vários países sem a necessidade de adequação de produtos.

2 – Ainda são poucas as empresas cosméticas exportam, qual é a expectativa nos próximos anos?

A disseminação da cultura exportadora é algo que leva tempo mesmo. É preciso conscientizar o empresário que ele precisa investir na adequação de seus produtos para o público alvo, que ele precisa investir num corpo técnico, de recursos humanos, adequar os produtos para necessidades e gostos locais, adequar seus produtos para as barreiras sanitárias, porque o mercado cosmético é um mercado regulável.
A perspectiva de comércio exterior no Brasil é uma coisa nova, de 10 anos para cá, exceto por duas ou três empresas. No entanto, as empresas já estão investindo na melhora do design de seus produtos e os fornecedores de matérias-primas investem cada vez mais na extração mineral e vegetal de maneira sustentável. Porque temos essa peculiaridade da nossa rica biodiversidade e é preciso explorá-la de maneira correta, porque é assim que se faz, é profissional e porque o mercado internacional também pensa assim.
Portanto nossas expectativas são muito boas. Muito já foi feito, participação de empresas em feiras já aumentou. Mas ainda há um grande caminho pela frente.

3 – O sr. diria que as missões comerciais promovidas pela Apex-Brasil, pela Abihpec e pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior têm ajudado no resultado das exportações do setor? Existe uma agenda para o ano que vem que contemple países ainda não visitados?

Sim, as missões ajudam muito o setor a conquistar novos mercados. Este ano, empresas de cosméticos participaram de missões na Índia e na Rússia e das ações de promoção comercial que fizemos na Galerias Lafayette, em Paris, durante o Ano do Brasil na França e na rede de lojas Selfridges, em Londres. Para o ano que vem, temos interesse em continuar a oferecer várias oportunidades de feiras e missões internacionais, mas ainda não temos a agenda definitiva fechada.
 
4 – Os empresários brasileiros estão preparados para estas rodadas de negócios que vem ocorrendo nas feiras Cosmoprof Cosmética e em missões comerciais no exterior, promovidas pela Apex-Brasil em parceria com a Abihpec – Brazilian Association of the Perfumery, Cosmetics and Personal Hygiene Industry – Associação Brasileira da Indústria de Higiene, Perfumaria e Cosméticos?

Temos que pensar em comércio externo como um investimento a médio prazo, porque ele implica num conjunto de medidas. Pensávamos em comércio exterior como recurso de saída de excedentes agora há planejamento para exportação.

O Projeto Comprador melhora a imagem do Brasil e estamos dispostos a melhorá-lo e preparar ainda mais os empresários que vão à estas rodadas. Esse é um processo evolutivo.

O Sofware Net Marketing da Abihpec – Brazilian Association of the Perfumery, Cosmetics and Personal Hygiene Industry, que otimizou os encontros nas rodadas de negócios de acordo com o interesse comum foi muito produtivo. A divulgação de produtos também é importante. Precisa de um material bom, com linguagem limpa.


5 – Em quê tem sido efetiva a vinda desses compradores e também de jornalistas internacionais ao país? Os compradores têm vindo para fechar negócios ou apenas para prospectar?

A vinda de compradores e formadores de opinião ao Brasil tem trazido excelentes resultados para o setor de cosméticos e também para projetos de outros setores em que aplicamos o mesmo conceito. Na última edição da feira Cosmoprof Cosmética, em São Paulo, vieram 21 compradores e 6 jornalistas estrangeiros convidados pela parceria entre a APEX-Brasil e a ABIHPEC. Eles cumprem uma agenda de visitas, conhecem empresas e participam de rodadas de negócio, além de visitarem a feira.
O projeto comprador ma Cosmoprof resultou em negócios no próprio evento e em uma perspectiva de exportação de mais de US$ 6 milhões nos próximos 12 meses.

A vinda de formadores de opinião internacionais, especializado em mídias do setor em seus respectivos países, por sua vez, tem gerado resultados de mídia espontânea em vários mercados, fomentando a imagem do Brasil como produtor de cosméticos com qualidade e tecnologia.
A preparação dos empresários é contemplada no âmbito do projeto da ABIHPEC, apoiado pela APEX-Brasil, por meio da contratação de consultorias especializadas em comércio exterior. Empresas que não tinham nenhuma experiência internacional passaram a negociar seus produtos em feiras e missões e estão obtendo resultados efetivos.

6 – A China, que se desenvolve e moderniza amplamente em todos os sentidos não seria um mercado já interessante para visitas comerciais do setor. O mercado chinês representa ameaça o setor cosmético brasileiro em termos de investimento das empresas européias e americanas?

A China ainda não foi escolhida como mercado alvo dentro do projeto de promoção comercial de cosméticos por que é um país que ainda impõe várias dificuldades regulatórias para a entrada de produtos importados. Já quanto à importação de produtos chineses, a balança comercial é favorável ao Brasil. Importamos da China principalmente escovas de dente e de cabelo, produtos de menor valor e que não têm nenhum tipo de produto químico em sua composição.

Estamos evoluindo em nossas exportações. Precisamos primeiramente explorar as exportações em nosso continente. No momento temos maior potencial de exportações para a América Latina. A china requer uma escala de produção ampla. Mesmo as grandes empresas que já se aventuraram no mercado chinês estão encontrando sérias dificuldades. É preciso cautela. Não adianta querer abraçar o mundo. Dá certo mas isoladamente porque o mercado Chinês tem uma classe A grande, de 200 milhões de pessoas. Por enquanto o mercado chinês é inviável, até mesmo por seus hábitos culturais que começam agora a se ocidentalizar.


7 – A Apex-Brasil tem algum projeto que facilite os trâmites de exportação para o empresário?

Já temos um Centro de Distribuição nos Estados Unidos. Um local para a armazenagem de produtos brasileiros. Ele dá toda a assessoria necessária ao empresário. É só conferir no site da Apex – www.apex-brasil.com.br . Outros depósitos estrategicamente localizados pelo mundo deverão ser abertos a curto prazo.

Estamos estudando também algo em taxações para facilitar as exportações, mas por enquanto são apenas estudos. Mas ainda temos muito ainda a avançar.