1 – Com tão pouco tempo de vida, porque a Sete está se reestruturando?

A Sete surgiu em 31 maio 2005, embora tenha começado antes, com a sua preparação. De lá pra cá, como qualquer outra empresa, vamos pensando e sentindo os caminhos que podemos seguir. Criamos de cara uma linha super extensa, com 54 itens, todos para o rosto, todos vendidos em uma única loja conceitual.

Só que não existe um modelo único, cada empresa adota o seu caminho. A Natura trabalha com Venda Direta, O Boticário com franquia e outras em outras modalidades mistas. Fomos experimentando nossos caminhos dentro do que queríamos, trabalhar com um público formador de opinião, buscando credibilidade.

Tínhamos alguns caminhos traçados, algumas possibilidades, mas não daria para saber de antemão qual seria o melhora caminho.

É lógico que se tratava de uma loja conceitual e que precisávamos de volume. Fomos testando, primeiro pensamos no consumidor final.  Aconteceu que alguns médicos dermatologistas começaram a freqüentar a loja da Sete e a prescrever alguns de nossos produtos a seus pacientes.

A partir daí fechamos uma parceria com o Hospital Albert Einstein que oferecia nossos produtos a mulheres gestantes que tinham acabado de dar a luz. Foi um trabalho árduo junto ao hospital para fechar esta parceira que levou 7 meses. Logo em seguida começamos a trabalhar com duas farmacêuticas para fazer visitação a médicos e com eles conseguimos muitas prescrições.

Além de conquistar esse público formador de opinião, íamos conquistando credibilidade através desse público médico. Em 16 meses conseguimos ser duas vezes finalistas do Prêmio Atualidade Cosmética, em que participa toda a indústria.

Para um mercado como um todo parece que a mudança é de uma hora para outra, mas não foi assim. Foi tudo muito pensado. A marca esta sendo construída e começamos com o pé direito.

Tínhamos 54 itens, mas apenas um deles, o pad de camomila foi responsável por 70% das vendas. No exterior existem pads, mas aqui fomos a primeira empresa a produzi-los com um complexo com camomila, hyssopus, calêndula, pantenol e uma série de componentes que são bons para a área dos olhos.

Procuramos no mercado qual seria o melhor material para fazer esse produto. A DuPont dispunha desse tecido não tecido para os pads. Fomos então atrás de uma máquina para cortá-lo em rodelas. Não existia essa máquina no mercado. É o preço da inovação. Acabamos por desenvolver essa máquina.  Ao todo foram cerca de sete meses para desenvolvê-la.  O resultado foi que esse produto especificamente fez muito sucesso.

Daí começou então essa idéia dessa mudança. O caminho da inovação efetiva trouxe-nos o caminho a seguir.

Tivemos porque tivemos esse grande sucesso, este produto é o resumo do por que do sucesso: dá resultado, agradável e prático.

Exatamente, a partir daí começamos a delinear uma nova estratégia.


2 – E qual é o caminho que a Sete Cosmetics decidiu seguir?

A Sete Cosmetics está inserida agora na Sete Ideas, onde o objetivo é criar produtos superiores, inovadores, seguindo esses três itens. É esse tipo de inovação que queremos. Apesar de pequenos, não queremos muitos produtos muitas novidades, muitos fazem o mesmo. O importante para nós é fazer o consumidor enxergar essa diferença.

3 – Porque fechar a loja nos Jardins que era o varejo da Sete Cosmetics?

A Sete priorizou a criação de produtos e vai agora comercializar em outros canais de distribuição.

4 – Porque produtos de prestígio serão vendidos pelo canal TV, um canal que é mais popular?

Na verdade o cosmético é a porta de entrada para produtos de consumo de luxo. Mais importante é criar o conceito. Não temos restrições quanto aos canais de distribuição. Qualquer marca precisa de volume. Agora esse trabalho de conceituação vamos continuar fazendo independente de distribuição.

Para buscar volume nesse momento fechamos com três canais: farmácia delivery, Internet e TV.

A TV Gazeta nos ofereceu uma boa relação de parceria, além disso é um canal com credibilidade, uma TV aberta que tem boa abrangência e a estação iniciando agora uma empresa para vender produtos pela TV.

Além disso, ela oferece um diferencial interessante, porque os atendentes do call center são estudantes bolsistas na Faculdade Casper Líbero. Então a qualificação desses atendentes é muito superior. Eles saberão como explicar os produtos. O mundo está mudando muito rápido, o telemarketing, a Intenet, a TV comércio são canais que estão crescendo e estão funcionando.

Então, temos que nos livrar dos preconceitos. Os caminhos escolhidos para a Sete são o resultado de uma maneira de pensar.


5 – O canal farma seria uma extensão da investida no setor médico?

São quatro farmácias delivery: Medical Center, Nutravita, Farma Hand e Derma Doctor. Praticamente abracei todo o mercado. São as quatro maiores farmácias de produtos de prescrição, mas industrializados que são entregues em casa. Não são redes formais, mas pontos físicos, ao todo cerca de 20 propagandistas. Este é um caminho que está crescendo muito.
Essas farmácias vão fazer diretamente o que eu fazia com duas funcionárias, só que vão levar a marca a 2000 médicos por mês, além de entregar os produtos na casa do consumidor.

6 –  E a opção também de vender produtos por um site de Internet…

Porque este canal está vivendo um momento forte e é uma forte tendência para o futuro. Os números provam, o mundo virtual tanto no Brasil como no mundo está crescendo muito. Então não participar dele é bobagem.  É um canal que tem que ser bem trabalhado. O Submarino vende 200 mil itens. Hoje os canais estão bem saturados. Na verdade uma farmácia tem de 10 a 12 mil itens. Então será preciso fazer uma comunicação integrada, a distribuição no site precisará comunicar e as pessoas precisarão saber como chegar até naquele canal.

O Submarino atua diretamente sobre o consumidor final e ele tem nesse momento a perspectiva de se tornar o terceiro maior comércio eletrônico do mundo, se ele fechar parceira com o Americanas.com, como está sendo aventado esta semana nos noticiários. Se isso acontecer ele será a 3º empresa virtual do mundo. Hoje o Submarino já é a 2º do Brasil.


7 – Como é que é essa ligação com o IPEN – Instituto de Pesquisa Energética e Nuclear da Universidade de São Paulo?

Vamos lançar um produto no ano que vem que é uma parceria da Sete com o Ipen.
O que posso adiantar é que não é qualquer inovação. É um desafio e é o nosso caminho

O Brasil tem muita separação do campo de pesquisa com a prática do mercado. O mercado não recorre muito aos centros de pesquisa. Hoje mesmo as grandes empresas de cosméticos acabam não tendo essa relação com Universidades e Institutos de Pesquisa. Há muitas pesquisas em universidades e que trazem inovações reais que passam desapercebidas pela indústria.


8 – Qual foi a sensação de ver seu produto Pads de Camomila ser indicado para uma premiação nacional, competindo com as maiores e mais importantes empresas do país?

Tudo de bom. Quando você praticamente nasceu é uma coisa muito boa.

9- Quais são suas prerrogativas para o ano que vem?

Na verdade estamos super otimista, porque em pouco tempo de mudança começamos a fechar com vários canais. Começamos de uma loja e já temos abrangência nacional. Já temos dois a três produtos semelhantes aos pads. Um produto inovador certo para o primeiro semestre, outro para o segundo e talvez um terceiro produto.