1 – Qual é a sua formação e há quanto tempo está na L´Oréal?

Sou pesquisadora, doutora em bioquímica, com opção por imunologia. Entrei na L´Óréal em 1990 para me ocupar de alternativas à experimentação animal, uma área em que a L´Óréal está muito avançada e há 7 anos trabalho  em pesquisas sobre a pele nas matrizes extra celulares, na parte de bioquímica.

2 – De que se trata Substiane e seu principal ativo a molécula Pro-Xylane?

Este novo produto trata do envelhecimento, o qual nós olhamos com um olhar diferente. Quando se pesquisa envelhecimento se cuida mais da parte de fibroblastos ou de queratinócitos. Nós nos interessamos por um tecido de sustentação dessa célula, que é a matriz extracelular, onde nós encontramos um gel rico em açúcares que nós o chamamos de glicosaminoglicólican, que tem a capacidade de fixar uma proteína transportadora para formar um proteoglican. A molécula de Pro-Xylane® é baseada no conceito do biomimetismo: ela é um derivado da Xilose, selecionada pela sua eficácia em iniciar e estimular a síntese de glicosaminoglican, manter a coesão e estrutura à derme superficial a partir da pele. Nós estudamos açúcares Xilose, produzidos com madeira de faia, usando um processo direto e otimizado de síntese que não agride o meio ambiente e que deu nome à molécula Pro-Xylane®. Ela permite rejuvenecer a pele, mesmo a pele envelhecida.

3 – Como é o processo de rejuvenescimento através dessa molécula? Quanto tempo leva e de que maneira ele é acontece?

O que nós fizemos foi mimetizar para tentar reproduzir o funcionamento de uma molécula que existe no corpo, que é o açúcar natural, a Xilose, cuja eficácia se reduz com o envelhecimento. Então fomos buscar na natureza, na madeira, todas as árvores possuem essa molécula de açúcar que capta a água que é o glicosaminoglican, para procurar uma maneira mais adequada em termos de meio ambiente de restabelecer essa capacidade de captar a água livre. Trabalhamos com pele reconstruída e com explantes e o resultado, após três meses, é que foram restabelecidas todas as funções celulares dessa pele.

4 – A L´Óréal vem trabalhando em processos limpos há quanto tempo? Para este novo produto houve a intenção de criá-lo já como um produto limpo?

Sim. Na verdade em nossa nova carta de princípios, todos os produtos que saem agora da L´Oreal são produtos não tóxicos, ambinetalmente amigáveis, eles não acumulam resíduos no organismo e foram criados com base no desenvolvimento sustentável.

Essa molécula é derivada da Xilose, obtida da madeira de faia, porque na Europa há grandes florestas de faia, uma matéria prima renovável. Realizou-se, então, uma sintese química muito curta e muito limpa que é processada em duas etapas e gera poquíssimos resíduos, pois utiliza apenas a água como solvente.


5 – E quanto tempo vocês pesquisaram para encontrar esta molécula?

É uma molécula que levou 7 anos para nascer e mobilizou um grande número de pesquisadores, químicos, biólogos, biofísicos e clínicos. A molécula foi patenteada.


6 – Outros produtos da L´Oreal vão utilizar a mesma molécula?

Sim ela deverá ser incluída outros produtos da marca L´Óréal, como Lancôme e depois em Vichy. A especificidade com que foi usada em La Roche Posey entretanto é muito mais importante do que será nos produtos  Lancôme ou Vichy, que terão uma concentração menor.

7 – Onde se localizam os centros de pesquisa da L´Óréal e quantas pessoas trabalham neles?

Temos dois centros de pesquisa na periferia de Paris: um centro de pesquisa em Clichy, que concentra a área de biologia e um centro de pesquisa em Olnes Sur la Roi, para tudo o que é relativo à química e a pesquisa fundamental. São 500 pesquisadores internamente.

8 – E externamente? A L´Óréal trabalha com outros centros de pesquisa também?

Na verdade, sobretudo em projetos de pesquisa temos agora um trabalho com equipes de estudantes universitários, americanos, mais especificamente em Cleveland e em San Diego. Pesquisamos o melhor em toda parte do mundo, porque é bom que todos se ajudem em todos os lugares, porque não se pode saber absolutamente tudo e em todas as áreas, assim recorremos a pesquisadores de fora.


9 – E como estão as pesquisas com peles artificiais? A L´Óréal desenvolveu outros tipos?

Faz muito tempo que trabalhamos com peles artificiais Ele está evoluindo. No início trabalhamos só com queratinócitos e fibroblastos, agora  trabalhamos também  com a parte de pigmentação, com melanócitos e também com a parte de alergias, com células de Longer-hans. Então temos o grupo que trabalha com a pele – o grupo Epyskin e o grupo Skynethics, que fazem a pele para comercialização.

10 – Quer dizer que se uma empresa brasileira, por exemplo, quiser comprar essa pele artificial para seus experimentos isto seria possível?

Sim, qualquer empresa pode comprar essa pele artificial.

11 – A L´Óréal tem um trabalho de desenvolver já há algum tempo produtos limpos, quando e como que essa atitude começou a tomar corpo?

Esse é um produto que nasceu há 7 anos e essa carta de desenvolvimento sustentável nasceu na mesma época. Nos pediram para que esse processo sintetizasse os princípios dessa carta e assim foi feito.