Kenji Kitamura, um dos cientistas responsáveis pelas definições das pesquisas do Centro de Desenvolvimento de Produtos da Shiseido no Japão esteve no Brasil por ocasião do lançamento de Bio-Performance Super Lifting Formula, um creme desenvolvido com biotecnologia para efeito lifting, que atua também como tratamento na estrutura da derme. O produto foi o vencedor do Prix d´Excellence Marie Claire 2005, de melhor lançamento mundial para cuidados com a pele do ano de 2004.

Kenji Kitamura, premiado cientista na área de cosmetologia na França, Japão e China falou ao cosméticos br sobre sua crença na Biotecnologia como caminho para a cosmética de alta performance.

1 – Que área de pesquisa o senhor trabalha no momento?

Meu objetivo principal é desenvolver tecnologia para aplicação em cosmético. Posso garantir que não temos nenhuma pretensão de desenvolver produtos que atuem na linha de tecnologia do BOTOX®, mas em pesquisas que aprimorem os princípios que desenvolvemos hoje que estão na área de biotecnologia.

2 – E quais as técnicas aplicáveis à biotecnologia?

Para desenvolvermos nossas pesquisas em biotecnologia reunimos vários tipos de tecnologia. Para o tratamento da pele recorremos às técnicas de dermatologia, em produção de ingredientes que possam ser úteis à pele e que sirvam como ponto de partida para a produção de cosméticos. Procuramos também criar cremes em que a textura e a aromacologia estejam presentes. Posso dizer que esta é uma tendência que a Shiseido seguirá – não apenas de sensações prazerosas, mas que proporcionem efetivamente sensações físicas sobre a pele, como o lifting.

3 – A Shiseido já pesquisou ou pretende pesquisar a biodiversidade brasileira?

Buscamos ingredientes em várias partes do mundo, naturalmente importamos algumas coisas do Brasil, da América Latina, especialmente da região dos Andes, de onde utilizamos uma planta processada para a utilização em cremes de clareamento que reduz a melanina da pele. Temos interesse nos ativos brasileiros, mas nenhum em específico neste momento Sei que as possibilidades da Amazônia são muito vastas, mas a questão da legislação brasileira em relação à sua biodiversidade é muito difícil. Hoje em dia não se pode pesquisar muito. Há restrições. Para que a Shiseido desenvolva um trabalho em que use ativos da biodiversidade brasileira, seria necessário montar um laboratório de estudos aqui e isso neste momento não está em nossos planos.

4 – Qual a estrutura da área de Pesquisa e Desenvolvimento da Shiseido?

Trabalhamos com quatro bases. A matriz é no Japão, os outros laboratórios ficam nos EUA, França e China. Ao todo trabalham cerca de mil pessoas nessa estrutura. A nomenclatura é definida pelo Japão e as pesquisas em biotecnologia estão  concentradas no Japão também, divididas em duas áreas: Pesquisa e Desenvolvimento. A matriz define como desenvolver um determinado produto e passa o briefing para os laboratórios para que estes desenvolvam idéias, ingredientes. Existem casos também em que os cientistas das filiais descobrem algum ingrediente especial e nos enviam informações para o desenvolvimento de algum produto específico.

5 – Já que a Shiseido é uma empresa global, que tipo de produtos os cientistas desenvolvem para públicos tão diferentes quanto as mulheres da Ásia que gostam de clarear a pele, para as européias e americanas que têm pele seca ou para as brasileiras que tem pele mista ou oleosa?

É realmente complicado satisfazer, num mesmo produto, públicos tão diferentes. Primeiro buscamos descobrir qual é a necessidade daquele lugar. Depois trabalhamos em pequenos ajustes nas formulações para que estas se adaptem às diferentes partes do mundo.

                      


A Shiseido veio para o Brasil em 1997 e em 2001 montou escritório próprio na Avenida Paulista. Hoje está em Alphaville. Takehiro Ueki, presidente da empresa no país falou ao cosméticos br no lançamento de Bio-Performance Super Lifting Formula, a semana passada em São Paulo. Ele e Ana Paula Dufrayer, Gerente de Marketing da marca falaram dos planos de desenvolvimento da marca no país.

1 – Em que ponto uma empresa tradicional como a Shiseido deixou de ser local para ser  Global?

A Shiseido tem essa vontade de ser global desde o princípio. A idéia do farmacêutico fundador da Shiseido, Arinobu Fukuhara em 1872 era combinar a estética do oriente com a ciência e tecnologia de negócios do ocidente, ou seja: levar para o Japão, o que ele encontrava de melhor no mundo. Com essa visão de que o Japão precisava conhecer e aprender o que havia no exterior foi que ele fundou a Shiseido. A internacionalização da empresa começou em 1957, quando a empresa começou a desenvolver novas tecnologias e Fukuhara acreditou ser o momento então de sair do Japão e levar os produtos Shiseido para fora.  A primeira abertura de uma operação foi em Taiwan e a partir daí foram estruturadas subsidiárias em 70 países.

2 – Qual a aposta da Shiseido no Brasil?

Basicamente queremos conquistar clientes, melhorar nossa imagem e a presença da marca no país. Estabelecer a Shiseido no país de forma que ela não fique em desvantagem em relação a outras marcas estrangeiras. Sobretudo marcar presença.

3 – Porque a empresa trouxe o seu escritório para cá em 2001, já que estava no país através de uma representação desde 1996?

Estamos investindo no Brasil como uma plataforma de exportação para a América Latina. Embora isto ainda não esteja acontecendo e ainda não tenhamos uma fábrica no país, estamos começando a abrir caminho.

4 – A Shiseido já tem presença marcante no país? Quem são seus concorrentes?

A Shiseido já tem uma presença importante nesse segmento de prestígio.  Teve crescimento constante nesses cinco anos em que está aqui, cerca de 10 % em média por ano. Estimamos que estamos em terceira, segunda posição dentro do mercado.

5 – Vocês concorrem com marcas nacionais de prestígio ou são mercados totalmente diferentes?

Natura e Boticário assim como outras boas marcas brasileiras têm um posicionamento menor do que o nosso. Chamamos de prestígio esses produtos de preço maior. Os produtos importados, especialmente os franceses, são os nossos maiores concorrentes.

6 – As grandes indústrias brasileiras não oferecem concorrência a Shiseido no país?

Todas as marcas acabam concorrendo entre si, em algum momento. A consumidora sempre compara, seja em preço ou qualidade.

7 – O sr quer dizer que a relação custo-benefício de um produto importado é uma determinante na hora da escolha entre um produto premium e um produto nacional de alta qualidade?

A Shiseido tem produtos de alta qualidade e, apesar dos preços altos, eles oferecem grandes benefícios. Então a relação custo benefício é muito boa, o que acaba conquistando consumidoras que experimentam os produtos da marca. De uma certa forma a marca  concorre com os produtos nacionais.

8 – Já que a Shiseido pensa em ter o Brasil como plataforma de exportação para a América Latina, há planos a curto prazo de instalação de uma fábrica no país?

Há planos de montarmos uma fábrica aqui, mas ainda não temos uma data definida. Talvez em cinco anos. O importante é estar aqui. A empresa enxerga o Brasil como um mercado muito importante, então precisamos estar aqui. No Japão há muitos idosos e o mercado já é muito competitivo lá e em paises europeus. Então a Shiseido agora está investindo em mercados novos, como China e Brasil. Mas para isso o Brasil precisa mostrar que é um mercado que vale a pena. As empresas que vem de fora acabam avaliando sua política monetária, a estabilidade política e a sua burocracia. Tudo isso influencia muito na vinda de uma empresa para cá.
Somos afiliados à Abihpec que  tem feito um trabalho muito bom nesse sentido.

9 – Os apenas 5% de público premium do país satisfez a Shiseido em seus objetivos de venda?

Na verdade o importante é estar aqui, implantar a cultura da marca no país. E a consumidora brasileira está começando a criar essa cultura de usar cosméticos para cuidar da pele. A brasileira consome produtos para o cabelo, maquiagem, perfumes. Essa cultura de tratamento corporal e facial ainda precisa ser trabalhada. Vendemos bem, cerca de 30% do nosso faturamento, mas não tanto quanto em outros países, onde alcançamos cerca de 60% do faturamento.

10 – Os produtos que mais vendem aqui são os anti-rugas, cuidado diário ou antimanchas?
Produtos anti-rugas, mas a preocupação com o tratamento antimanchas tem crescido. Nosso trabalho de ponto de venda é mais uma consultoria, de como cuidar e desenvolver a cultura da importância do tratamento.

11 – A exemplo da Unilever que tem fornecedores com capacidade de fornecer para qualquer parte do mundo, a escolha de fornecedores da Shiseido também é global?

No Japão fazemos, por exemplo, o desenvolvimento de embalagem com uma equipe. A parte técnica, o design, geralmente precisam de alguns especialistas para fabricação, que são locais ou de outros centros de desenvolvimento. Procuramos fornecedores globais, porque temos mais de 20 fábricas no mundo todo e precisamos de fornecedores capazes de suprir essas fábricas. Em muitos momentos ocorre que os fornecedores desenvolvem e nos apresentam tecnologias a partir de uma necessidade da empresa.

12 – Como a Shiseido vem divulgando seus produtos no país?

Os pontos de venda têm uma dinâmica própria, com promoções e eventos que acontecem mensalmente focando linhas produtos ou lançamentos. Nosso foco é oferecer serviços para as consumidoras. Serviços como revitalização da pele, massagens faciais, aulas maquiagem.