1 – Quais são as tendências em fragrâncias para 2007?

São várias: edições especiais, novas versões ou “Flankers”, duos, inovações olfativas, como madeiras novas, nobres, exóticas ou mesmo tradicionais nas fragrâncias femininas; perfumes que combinam a feminilidade floral com a jovialidade das frutas (florais frutados). O que estamos vendo agora é uma busca por ingredientes e nuances olfativos capazes de promover uma inovação nas novas criações.

Para os homens, as notas orientais também marcam presença nas criações mais inovadoras. A virilidade masculina será ressaltada com muito frescor e sensualidade através das notas amadeiradas frescas ou mais quentes.


2 – O que pensa sobre as fragrâncias unisex?

Considerando que hoje o mercado está pedindo fragrâncias que distingam seu usuário, que lhe aportem personalidade, identidade e distinção, este conceito segue na contra-mão. Os mercados dos EUA e Alemanha são os mais abertos a fragrâncias que não enfatizem tão fortemente a distinção entre gêneros, talvez nestes países este conceito possa ter ressonância.


3 – As fragrâncias duo ainda são atuais?

Sim, se o conceito for forte para os dois sexos, nada contra (vide exemplo Remix de Emporio Armani).


4 – Qual é a medida que  perfumista coloca de si na criação de uma fragrância e o quanto ele segue um briefing  elaborado pela empresa?

Uma fragrância é muitas vezes construída a várias mãos: o cliente entende do seu negócio e dos anseios do seu consumidor e eu entendo da arte de transformar estes sonhos em fragrâncias.
No momento da criação, estou 100% focado em buscar a mais bela composição, a fragrância mais rica, mais diferenciada… mas que no final atenda ao briefing.
Com toda a minha vivência na perfumaria, muitas vezes proponho caminhos que o cliente nem tinha pensado antes, mas que justamente poderão dar a distinção que a sua fragrância precisa. 


5 – As fragrâncias confortáveis, com notas gourmand, que remetiam a mulheres “família”, ainda são uma tendência? E quanto às fragrâncias sexy ou românticas?

As fragrâncias com notas gourmand continuam em alta e até mesmo invadindo a perfumaria masculina! Podem ser usadas de uma forma sutil para traduzir uma sensualidade feminina mais natural junto a florais cremosos e notas aconchegantes ou ainda, de forma mais intensa, em conceitos sexy e provocantes como os elixires da paixão.


6 – Notas Head Space podem ser de qualquer espécie, vegetal, animal ou outra, como orvalho da manhã, incluída na mais recente fragrância de O Boticário Royalty?

Pode reproduzir qualquer coisa, inclusive um ambiente como foi o caso do Head Space Salto Morato que reproduz o cheiro dessa reserva natural do sul do Brasil, uma mata verde extremamente úmida cercada de cachoeiras por todos os lados, ou o Head Space Brises d’Hachijojima (uma ilha do Pacífico ao sul do Japão) que traz o frescor da brisa marinha combinado a notas verdes das algas sobre as rochas vulcânicas da praia.
O Head Space Morning Dew Orchid traz o perfume único desta orquídea nativa das florestas úmidas tropicais. Marcado por um suave frescor combinado a uma intensa sensualidade floral, este ingrediente foi perfeito na composição de Royalty para representar a feminilidade intocada da mulher Camponesa.

7 – Em que parte do mundo a Givaudan desenvolverá fragrâncias este ano?

As grandes expedições para o descobrimento de novos Head Spaces buscam lugares inexplorados, desconhecidos, de difícil acesso e que tenham uma biodiversidade rica e interessante para a captura de novos aromas.
São planejadas com muito cuidado, a cada 3 ou 4 anos, pois, fora o alto investimento, é necessário estudar previamente a região para se assegurar da riqueza de sua biodiversidade, além de conseguir autorização dos governos, entre outras tantas burocracias…
Depois de uma expedição ainda existe um processo longo de reprodução dos aromas em laboratório, vários testes para a confirmação de seu potencial olfativo etc.

A última expedição foi realizada há dois anos em Papua Nova Guiné.

8 – As matérias-primas brasileiras como priprioca, etc, estão nos catálogos mundiais da empresa? E despertam interesse?

Mundialmente existem outros óleos essenciais comprados no Brasil, mas não essências típicas brasileiras. No caso da priprioca como o Louro Rosa são ingredientes de uso exclusivo para determinados clientes, pois foram desenvolvidos em projetos inovadores de parceria com altos investimentos de ambas as partes.
 

9 – Qual a importância para a Givaudan das fragrâncias para produtos para o lar ou mesmo sabonetes, desodorantes? Mesmo sem o mesmo glamour que as fragrâncias femininas e masculinas, que porcentagem elas têm para a Givaudan?

Todos os projetos são importantes, a diferença de “glamour” entre eles está na complexidade de sua fórmula, na riqueza de ingredientes e dosagens que o seu custo permite trabalhar. Uma fragrância fina pode contar com mais ingredientes naturais (geralmente mais caros) que um produto para limpeza da casa. Por outro lado, a composição de uma fragrância técnica, de um sabão em pó, por exemplo, exige muito do conhecimento do perfumista para que a fragrância consiga se sobressair em uma base tão difícil e manter sua performance na roupa durante a lavagem, o molho, a secagem, no armário…

10 – O que o sr diria a respeito de fragrâncias para o clima brasileiro que está cada vez mais quente? Como usar as fragrâncias internacionais geralmente mais encorpadas?

Essa especificidade de nosso clima garante um grande espaço para as companhias nacionais que conhecem bem seus consumidores e oferecem fragrâncias mais adaptadas a seu gosto. Fragrâncias mais intensas ou mesmo gourmands para o público brasileiro precisam oferecer também certo frescor. Geralmente, as brasileiras preferem usar fragrâncias mais frescas durante o dia que lhes ofereçam uma sensação de bem-estar, limpeza, frescor; deixando as mais intensas e sedutoras para ocasiões especiais ou durante a noite quando as fragrâncias internacionais são também muito bem-vindas!