1 – Como a Revlon se posiciona hoje no mercado brasileiro de maquiagem?

A Revlon tem um posicionamento de marca semiprestígio no mercado brasileiro. Nos EUA a marca é mais popular no segmento. Aqui estamos praticamente sozinhos porque a Nívea saiu do segmento de maquiagem. Maquiagem semiprestígio significa maquiagem de qualidade, com amplo portfolio de produtos, entregando cores e qualidade, mas a um preço mais acessível que os produtos de prestígio.

2 – Em quais segmentos de maquiagem a empresa atua e em quais deles registra maior participação no país?

Quando se fala em mercado de maquiagem, são quatro os grandes segmentos: boca, face, olhos e unhas. No Brasil os maiores mercados estão em dois segmentos – lábio e unhas, que representam 85% do mercado. Nosso grande volume está nos batons e esmaltes. A linha de face tem melhor atuação em países mais desenvolvidos economicamente, porque o segmento tem maior valor agregado. No Brasil é essa a razão desses dois segmentos serem mais fortes.

3 – Vocês tem idéia de quanto vendem em esmaltes e maquiagem no país?

Não posso falar em números. Não existe um mercado quem audite o segmento. A ACNilsen só audita o segmento de esmaltes, mas de acordo com os dados da Abihpec – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos – a Revlon tem 51% do mercado de semiprestígio  no Brasil.  O grande volume está no segmento popular, que responde por mais de 50% do total, mas não atuamos nesse segmento.
 
4 – A empresa investe em pesquisas para saber o que a mulher brasileira quer ou os produtos chegam dos Estados Unidos e simplesmente são bem aceitos aqui?

Temos vários tipos de pesquisa na Revlon internacional. Nosso centro de pesquisa para toda a América Latina fica no México. Se há algum diferencial específico para entender a consumidora brasileira, então fazemos pesquisas aqui.  Elas geralmente são feitas por amostras com entre 50 a 100 mulheres, o que é pouco, mas dá uma mostra que explode para um resultado abrangente, desde que seja uma amostra especifica, que contenha o que está sendo pesquisado.

Aqui só funciona o escritório, os produtos vêm dos EUA. Não fabricamos maquiagem no país, mas enviamos nossos produtos para o Instituto Allergisa, que é um Instituto internacional. A não ser os testes olfativos, para os quais podemos fazer pesquisas internas. Para os testes de maquiagem fazemos primeiramente os teste de aceitação em relação a performance da concorrência.

Em termos de maquiagem, a Revlon traz apenas 1/3 de seus produtos, porque fazemos uma seleção do que a consumidora brasileira utiliza realmente. Testamos alguns produtos porque o tipo de benefício não é tão atrativo para a consumidora brasileira. Então já fazemos uma seleção de produtos, testamos internamente, para ter certeza de sucesso.

5 – A que vocês creditam essa aceitação dos produtos de maquiagem e esmaltes Revlon no país?

Primeiro que a Revlon tem uma imagem de qualidade, glamour, para mulheres aspiracionais, como a Cindy Crawford, modelo que representou a marca durante 12 anos. São produtos que não custam caro, mas são de excelente qualidade.  É uma coisa de geração. Fomos trazendo mais e mais produtos, mas fazemos o acompanhamento do mercado, que não pára. A todo momento são novas tecnologias, uma hora tem que ter cores e dar brilho, outra tem que ter cores, mas tem que ter FPS, outra tem que ter cores, hidratação e o gloss.


6 – A Amway é concorrente de vocês?

Não exatamente. Atuamos no varejo, eles em venda direta, que é um segmento de venda focado em pele e fragrâncias. Nossos produtos ficam expostos para que as mulheres passem e experimentem. A mulher vai à loja do shopping porque quer ver o produto que ela deseja naquele momento, experimentá-lo e levar para casa. Consideramos concorrente aquele que atua no ponto de venda ao nosso lado.

7 – A recém lançada linha de maquiagem Age Defying agora vem com tratamento. Isto é novo para o mercado brasileiro. E promete redução das linhas em 14 dias. Produtos de maquiagem com proteção solar já temos por aqui, mas com extratos botânicos e hexapeptídeos  ainda não. Como está se saindo a linha nos EUA e como está sendo recebida no país?

Esta linha da Revlon já existia em outros países. A marca criou esta linha já para uma mulher mais madura, cuja pele já vai apresentando alguns diferenciais, como manchas e pequenas linhas de idade. A maquiagem comum, em vez de melhorar, piora.

Dependendo da faixa etária você tem que ter maquiagem diferenciada, Esta linha foi testada em vários tipos de pele, para detectar quais os principais problemas de pele que a consumidora teria, como a maquiagem estaria trazendo maiores benefícios. Então ela tem fator de proteção solar mais alto, cores mais claras e específicas e ainda ativos antiidade. Pesquisamos ainda como uma maquiagem poderia trazer benefícios em duas semanas.

Os ingredientes da linha vêm de produtos de skincare, o grande e novo boom para o segmento de maquiagem. Os ingredientes ativos vão migrando para outras categorias como, por exemplo, o ceramidas, que foi desenvolvido para a pele e chegou aos cabelos, promovendo a restauração capilar. Mesma coisa o BOTOX®, que era um produto injetável e foi evoluindo para produtos de skincare e hoje está chegando à maquiagem, o que se pode chamar de terceira geração de produtos com o ingrediente. Temos na linha o Botafirme, ingrediente que deixa a expressão do rosto mais leve. A mulher que usa maquiagem todos dias para ir ao trabalho, terá em 14 dias benefícios visíveis.

Foram feitos testes clínicos, inclusive porque é preciso que se comprove o que o produto se propõe.  E os testes só aprovam quando é constatado que o produto é eficaz.
Ele suaviza em 14 dias. Oferece o benefício de uma maquiagem mais suave. É maquiagem junto com o benefício.  Isso vai ser uma tendência forte e vai começar mesmo. Nós fomos os primeiros a trazer isso ao país.

8 – E quanto aos esmaltes, também oferecerão tratamento?

Nossa linha de tratamento para unha é fortíssima. Temos a Nail Care, uma linha de pré e pós-tratamento para o cuidado das unhas, ainda não disponível no país. Mas trouxemos anteriormente alguns produtos para nossa ex-marca Colorama com um produto para calcificar, o secante, um para evitar descascamentos, manchinhas e outro para fortalecer. Mas vendas eram muito baixas e não trouxemos mais. Na época, as consumidoras não compreenderam os valores agregados que oferecemos. Agora os tempos são outros.

9 – E o corretivo? Ele corrige mesmo os inchaços? Muitos homens que trabalham demais sentem falta de um produto para o inchaço dos olhos, as olheiras escuras… São produtos que ajudam realmente a encobrir estes problemas?
 
O corretivo ajuda a melhorar a aparência, dá uma suavidade e uma aparência mais clean. Temos o corretivo também no pós-base como o New Complexion One Step Compact Makeup, base líquida, ao mesmo tempo pó e corretivo. São produtos três em um, uma outra tendência. Temos One step, base líquida, ao mesmo tempo pó e corretivo. Essa categoria três em um ainda tem um grande caminho pela frente.

10 – Os pós-translúcidos sumiram por um bom tempo do mercado, apesar de que quando foram lançados, na década de 70 senão me engano, terem sido um grande sucesso. A maquiagem, assim como as fragrâncias, também têm retrospectivas nostálgicas?

Colocamos o pó translúcido na linha por ser a característica de um produto, para dar finalização. O pó translúcido usado para deixar a mulher mais branca é uma característica cultural. As mulheres asiáticas, especialmente as da China e Japão preferem ter a pele mais branca, diferentemente das brasileiras que preferem o tom bronzeado para pele. É claro que também depende da faixa etária.  Mulheres mais maduras preferem não se expor ao sol, por isso lançamos pós-translúcidos no verão, em edição limitada, mais para dar um bronzeado.

11 – Porque o nicho de maquiagem de tratamento, que parece algo tão óbvio, ainda não havia sido explorado?

Acho que agora vai começar. Acho que também pelo valor agregado. Acho que vem agora um boom.


12 – A mulher brasileira, com sua discrição ou naturalidade para maquiar-se representa um impedimento para o mercado de maquiagem crescer mais no país?

Obviamente quando comparamos o Brasil com países da América Latina, onde as mulheres se maquiam muito mais percebemos essa característica da brasileira sim, mas isso não impede o crescimento do segmento no país. A partir do momento que você cresce em outros nichos. As brasileiras gostam de maquiar os olhos com lápis coloridos e máscaras alongadoras e investe em outras cores mais discretas para batons esmaltes e brilhos.

É claro que você não pode explorar muito o mercado de sombras no país por uma questão de clima. E os produtos de maquiagem não estão tão adaptados ao tipo de clima do país. Sempre é possível, entretanto, crescer de outras maneiras,

13 – Para o segmento de cabelos, que é tão forte no país, a empresa tem projetos para o futuro?

Temos três linhas de tratamento para os cabelos. Além dos produtos da marca Bozzano, a categoria de Hair Care da Revlon tem as marcas Flex Fabulous, Aquamarine e Juvena que é bem forte no Nordeste e Sul do país, Ainda não temos uma linha de tratamento muito ampla, pois este é um mercado muito competitivo em termos de preço. Em gôndolas R$1 faz uma diferença enorme. O que temos de tratamento é da linha Juvena.  Lançamos o Tratamento de Choque, que vem em saches, um mercado em crescimento, mas não muito explorado. As vendas vão bem, mas num comparativo não atingem ainda nem 5% do restante dos produtos de cuidados com os cabelos. Conseguimos comercializar os saches a R$ 2,00 e o pote a R$ 7,00. O grande volume ainda está aí mesmo.


14 – Como a matriz vê o mercado brasileiro? Vocês exportam para a América Latina a partir do Brasil?

Exceto as maquiagens, quase todos os demais produtos comercializados no Brasil são produzidos aqui. Apenas um ou outro item é nacionalizado. A linha cremes, xampus é inteiramente feita aqui. Atualmente, o Brasil é o primeiro mercado da Revlon na América Latina e o quarto de toda a área internacional. Estas posições foram conquistadas há dois anos. Até então, o País estava em segundo e sétimo lugar, respectivamente.