A Natura Cosméticos recebeu a primeira Patente Verde dedicada a uma empresa de cosméticos no Brasil. Anteriormente, a empresa utilizava a biomassa gerada como resíduo para compostagem de solo e agora finaliza seu curso dentro da lógica da economia circular.

Criada por pesquisadores da Natura e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) inovação tecnológica utiliza resíduos de ativos da biodiversidade Amazônia, obtidos da extração do óleo de oleaginosas, como murumuru, andiroba e castanha, como insumos de produção da companhia.

Rico em carboidratos, fibras e lipídeo, o material agora passa a ser inserido em um novo produto com benefícios comprovados para a pele, graças ao novo ativo biotecnológico. A novidade será lançada ao consumidor em 2020.

Ao criar um ingrediente biotecnológico, as cooperativas fornecedoras da Natura na região Amazônica também passam a ter um novo modelo de negócios.

A inovação possibilitou à empresa utilizar como insumo a matéria orgânica que resta da sua produção. Com a parceria do IPT, de São Paulo, pesquisadores da Natura em Cajamar, na região metropolitana paulista, e em Benevides, no Pará, desenvolveram uma técnica para aproveitar os resíduos em projeto apoiado pela Embrapii-Piloto (CNI, Finep e MCTIC).

O registro — por sua vez – é concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), ligado ao Ministério da Economia, e garante à Natura exclusividade no uso comercial da inovação durante os primeiros anos.

O programa Patentes Verdes prioriza a análise de pedidos de registros relacionadas a tecnologias que ajudam a combater as mudanças climáticas.

“É uma grande conquista relacionada à economia circular, pois desenvolvemos uma técnica de uso integral de sementes da biodiversidade brasileira. O que antes virava adubo, agora gera uma oportunidade em outra cadeia produtiva”, explica Roseli Mello, diretora de Inovação da Natura.

A inovação faz parte das diretrizes divulgadas pela companhia no documento Visão de Sustentabilidade 2050, como a de que os resíduos gerados deverão ser reutilizados em seu próprio processo produtivo ou tornarem-se insumo de alta qualidade por outro ciclo industrial ou natural.